Em São Vicente - Residência Terapêutica garante dignidade após reclusão em manicômios

Casa abriga oito moradores e integra rede de atendimento à saúde mental de São Vicente

 

Por Prefeitura Municipal de São Vicente 

Com as mãos na terra e um sorriso no rosto, Aline Silva, 37 anos, comenta sobre a evolução que a oficina de jardinagem a garantiu: "É sempre muito bom. A gente conversa e mexe nas plantas. Nos conectamos com a natureza. Me sinto mais viva e feliz". A receptiva moça faz acompanhamento psiquiátrico desde os 15 anos e diz ter se encontrado com o tratamento ocupacional.

O grupo de jardinagem é realizado quinzenalmente na Residência Terapêutica e integra o plano de terapia oferecido pelo Centro de Assistência Psicossocial (CAPS) III Mater (R. Padre Anchieta, 211 – Centro) de São Vicente.

Manutenção do jardim, plantio, conversa e muito bom humor é o que acontece na oficina de jardinagem ministrada pela auxiliar de enfermagem do CAPS III Mater, Rosemar de Paula, que trabalha há oito anos na unidade. “É gratificante ver como eles gostam das atividades em contato com a terra. Com certeza é uma oficina que eles participam com gosto”,destaca.

A Residência Terapêutica foi inaugurada em maio de 2018 e atende as portarias do Ministério da Saúde 106/GM/MS, 3090 e 52. O espaço reintegra pessoas após longos períodos de internação psiquiátrica, garantindo aos moradores o direito à moradia e cuidados assistidos. Os integrantes desta "família”, em sua maioria, passaram longos períodos em hospitais psiquiátricos e encontraram na residência uma forma de viver a rotina de uma casa.

 “Alguns deles nunca tiveram um lar ou uma família. Ter essa sensação de pertencimento é novidade. Aqui eles não são chamamos de pacientes e sim de moradores. O preconceito das pessoas é um grande desafio para os que trabalham com saúde mental. A sociedade não está acostumada a lidar com pessoas com transtornos mentais. Alguns dos moradores passaram por manicômios, quando não existia uma visão humanizada sobre o tratamento. Por isso, eles apresentam muitas comorbidades e dificuldade de socialização, que trabalhamos diariamente para melhorar”, disse Roberta Lacerda, responsável técnica da Unidade, que abriga oito residentes.

Como na maioria das casas, no Residencial existe a divisão dos serviços domésticos. O que é considerado ‘chato’ para muitos, é motivo de ‘discussão’ no lar terapêutico. “Eles adoram participar das tarefas domésticas, inclusive discutem pra ver quem vai lavar a louça,” destaca a responsável técnica da moradia. 

Arte e música - A casa, com o receptivo jardim cuidado pelos moradores e pelos pacientes do CAPS III Mater, é palco para as criações artísticas de José Soares Filho, 52 anos, que, orgulhoso, mostra seus desenhos. “Eu gosto de desenhar. Desenho desde criança e me ajuda bastante”, afirma o morador, enquanto folheia sua pasta repleta de criações artísticas. Eleficou25 anos recluso em cuidados psiquiátricos.

José ou ‘Zé’, apelido dado pelos moradores e funcionários da Residência, compõe músicas. Com uma melodia ritmada e um timbre afinado, ele canta “Copacabana” para o grupo, que escuta atentamente sua produção autoral. “Temos um auxiliar de enfermagem que entende de música. Ele ajuda o Zé na criação de melodias com o violão. É bem legal”, conta Roberta.

 

Foto: Antonio ferreira - SEICOM PMSV