Prefeitura de Guarujá oferece tratamento para quem deseja parar de fumar

07/10/2015

 

A terapia cognitiva é gratuita e acontece toda semana no Centro de Reabilitação Guarujá

 

Um maço de cigarros contém 20 unidades. E Jorge Caetano da Costa entrou no grupo de terapia cognitiva fumando 15 por dia. Por conselho dos filhos decidiu parar de fumar. “Sozinho estava difícil, então resolvi vir para cá”, explicou. Após um mês e meio de encontros no Centro de Reabilitação Guarujá, Costa reduziu o consumo para três.

 

“Comecei a usar as estratégias aprendidas na terapia. Mudei minha rotina, como o cafezinho depois do almoço seguido de cigarro, substitui o café pelo chá e isso diminuiu a vontade de fumar. E para combater a ansiedade por conta dos problemas, procuro me distrair, assisto uma TV, ou, sento em frente ao computador, coloco um fone e ouço a leitura da bíblia”, revelou o paciente.

 

É nessa linha de mudança de hábitos, que a fisioterapeuta Sílvia Helena Almeida, trabalha a terapia cognitiva com pessoas que desejam parar de fumar. Doze pessoas são escolhidas para se tratarem durante dois meses, em reuniões semanais. Os encontros, que variam entre seis e oito semanas, são regidos pelo Programa de Saúde do Governo Federal, nos moldes do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e oferecidos gratuitamente pela Prefeitura de Guarujá.

 

Durante as reuniões, Sílvia conversa com os pacientes para identificar os gatilhos de cada um, ou seja, quais os costumes que os levam a fumar. Por meio das conversas, cada um conta quais os momentos em que sentem mais vontade de fumar, suas dificuldades e seus resultados.

 

Segundo Sílvia a partir da terapia, o grupo compreende que “a forma de se sentir bem não está mais ligada ao cigarro, mas sim, a ler, escrever, pintar, caminhar”. Ela explica que “quando a pessoa acende um cigarro ela se afasta dos problemas, mas quando o cigarro apaga, o problema continua. Então é necessário ter atitudes de enfrentamento”, explicou.

 

Uma curiosidade revelada pela fisioterapeuta é que o monóxido de carbono presente no cigarro causa dormência nas pernas, atrapalhando o condicionamento físico. “Trocando o hábito de fumar pela atividade física, o paciente pode sentir a mesma sensação de satisfação ao fumar, porque uma caminhada, por exemplo, libera a dopamina, a substância que causa prazer, que o cigarro também tem”, esclareceu.

 

Por ser muito ansiosa, Natalina Nunes de Fátima tem mais dificuldade para abandonar o vício, mas ela continua na luta e recebe o apoio do filho, Júlio César Nunes dos Santos, que a acompanha em todas as reuniões. “Resolvi parar de fumar porque tive enfisema pulmonar, uma parada cardíaca que me levou a ficar dias no hospital e ainda passei por uma hemodiálise. Então fui encaminhada pelo médico, para participar do grupo” contou Natalina.

 

O filho de Natalina lembra que pediu o primeiro cigarro para a mãe, quando adolescente. “Na época era luxo. Tinha a marca John Player Special com a caixinha toda preta, que a gente guardava. As carteiras eram bonitas, comprava um cigarro, mas, só fumava quando saía com os amigos”, lembrou. Mas, depois dos problemas da mãe, Santos abandonou o cigarro há cinco meses. “Não poderia chegar em casa com cheiro de cigarro, por causa dela, se não ela iria sentir vontade de fumar. Sempre trabalhei em local fechado, acredito que é por isso que nunca fui muito ligado ao vício”, afirmou Santos.

 

De acordo com a fisioterapeuta, no final do tratamento “eles servem como modelos, cada um quando deixa de fumar, conta para o vizinho, para os amigos. E outros acabam chegando aqui por causa de outros parentes que ficaram doentes, ou morreram por conta do cigarro, então ficam em alerta e vêm para o grupo, com a intenção de mudar”, disse Sílvia.

 

Serviço - A terapia acontece toda terça-feira de manhã, das 08h30 às 09h30, no Centro de Reabilitação Guarujá, que fica no 3º andar do Prédio Previdência (Avenida Adhemar de Barros, 210).

 

Fonte:http://portal.guaruja.sp.gov.br/2015/10/prefeitura-de-guaruja-oferece-tratamento-para-quem-deseja-parar-de-fumar/