Consciência Negra: A importância de reescrever a história

25/11/2014

 

Mary Francisca do Careno, nascida em Lins, noroeste do estado de São Paulo, tem como principal luta a educação e a reconstrução da memória dos negros na Região

 

“Enquanto os leões não contarem suas histórias, os contos de caça glorificarão sempre os caçadores”. Este provérbio africano rege a vida da coordenadora do Núcleo de Estudos Indígenas e Afro-brasileiros (Neiab) da Unaerp – Campus Guarujá, Mary Francisca do Careno. Nascida em Lins, noroeste do estado de São Paulo, tem como principal luta a educação e a reconstrução da memória dos negros na região.

 

O grupo coordenado por Mary tem como função trabalhar com pesquisa e ensino, a modo de contar a história, recuperando a memória do povo negro. Este ano o Neiab iniciou a pesquisa “Afro influências na Baixada Santista: Resgate de memória e reescrita da história”, com previsão de término em 2015, em que os integrantes do núcleo analisam documentos e livros antigos, além de entrevistarem os negros mais antigos da Baixada Santista, buscando mostrar a história através das memórias.

 

Sempre buscando se aprimorar, seu doutorado teve como tema a história e cultura dos remanescentes quilombolas do Vale do Ribeira, local onde existem mais de 40 bairros com essa origem. Segundo ela, os negros do Brasil, que representam 52% do País, estão nas escalas sociais mais baixas devido à história. “Vejo que o negro só vai sair da condição que está através do conhecimento proveniente dos estudos. Com isso, pode encontrar argumentos para restaurar a história e ser respeitado”, comenta Mary.

 

Para Careno, a Lei Federal 10.639/03 veio para mudar um pouco a realidade dos negros e afrodescendentes, e é uma conquista a ser comemorada. A lei, que completou 10 anos em 2013, tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do Ensino Fundamental até o Ensino Médio. “O Brasil nos deve isso. Essa e a lei de cotas são fundamentais para retomarmos o espaço que nos tiraram no passado”, finalizou.

 

Fonte:http://portal.guaruja.sp.gov.br/2014/11/consciencia-negra-a-importancia-de-reescrever-a-historia/